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Encontrar o Ressuscitado dá sentido à vida

  • Foto do escritor: Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
    Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
  • 18 de abr.
  • 3 min de leitura

Dois discípulos que haviam subido a Jerusalém para celebrar a Páscoa testemunharam o dramático julgamento de Jesus, reconhecido como profeta poderoso em obras e palavras, mas condenado à morte de cruz. Esse desfecho parecia o fracasso de todas as suas esperanças, pois aguardavam a libertação de Israel segundo a imagem de um Messias glorioso. A decepção foi tão grande que nem mesmo o testemunho das mulheres foi acolhido.

Por isso, afastaram-se de Jerusalém, deixando a comunidade e os acontecimentos centrais de sua fé. Puseram-se a caminho de Emaús, lugar que simboliza fuga e retorno ao passado. Incapazes de compreender a tragédia, fecharam-se em uma visão limitada da promessa messiânica. Foi então que, em meio à desorientação, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles.

Em meio a tristeza, Jesus se aproxima e inicia um novo diálogo, embora os discípulos não o reconheçam. A dor e a decepção lhes fechavam os olhos e impediam uma compreensão mais profunda. O Mestre, porém, acolhe suas palavras e, com paciência, relembra os acontecimentos à luz do plano de Deus. Ele mostra que a cruz não é derrota, mas caminho de glória. À medida que escutam, seus corações começam a arder novamente. Quando Jesus faz menção de seguir adiante, eles insistem para que permaneça.

À mesa, no gesto de partir o pão, seus olhos se abrem e o reconhecem. A dor se transforma em alegria, e eles retornam a Jerusalém para anunciar que Ele está vivo.

Conhecendo o contexto comunitário, o evangelista Lucas coloca nos lábios dos discípulos o pensamento de toda a comunidade. Eles reconheciam em Jesus um Mestre sábio e poderoso, cuja mensagem transformava vidas. No entanto, não conseguiam aceitar que Ele tivesse morrido como os outros profetas. Era difícil imaginar um Messias cujo caminho passasse pela cruz. Esse entendimento limitado gerava tristeza e sensação de fracasso. A comunidade nascente enfrentava perseguições, calúnias e preconceitos, enquanto os poderosos pareciam triunfar. Faltavam forças interiores e esperança. Assim, muitos se sentiam abatidos diante da aparente derrota do projeto de Jesus.


A narrativa de Emaús é uma das páginas mais belas do Evangelho, pois revela a experiência dos discípulos desiludidos. O evangelista constrói essa cena a partir das crises vividas pela própria comunidade. A decepção não é apenas um fato do passado, mas uma realidade presente na vida dos discípulos de todos os tempos. Por isso, o relato permanece atual e profundamente humano. Muitas vezes, diante das frustrações, surge o desejo de abandonar tudo e seguir sozinho. A incompreensão da vida e o peso das tentativas frustradas alimentam a solidão. Assim, as dificuldades nas relações e os dramas interiores confundem o coração e obscurecem o olhar.


O projeto de amor de Deus é tão profundo que, muitas vezes, encontra resistência em nosso coração. O caminho da cruz parece difícil de aceitar e nos leva à tentação de fugir ou voltar ao passado.

Com frequência, também nós percorremos as “estradas de Emaús”, marcadas por decepções e pela busca de sentido.

Quando os vínculos se rompem, sentimo-nos perdidos e sem esperança. Nessas horas, parece mais fácil partir e se isolar. Também na relação com Deus, recordamos mais facilmente os momentos de alegria do que os de prova. No entanto, é justamente nesses momentos que o Ressuscitado se aproxima e reacende a esperança.


Madalena, Pedro, o outro discípulo, Tomé e os discípulos de Emaús aparecem como protagonistas das narrativas da ressurreição, revelando sentimentos e dúvidas comuns a todos. Neles vemos um retrato da condição humana diante do mistério pascal. Seus corações feridos precisam ser curados, e sua forma de pensar, transformada. Ao contrário de um triunfo grandioso, o Ressuscitado se manifesta com simplicidade e com amizade. Ele aparece no silêncio do sepulcro, no cenáculo e no caminho da vida cotidiana. Sua presença discreta revela a proximidade de Deus na história humana. Assim, Jesus se mostra como o mistagogo que conduz, com paciência, ao mistério da fé e da salvação.


Senhor, fica comigo na desilusão e na tristeza. Recorda-me o amor que juntos construímos. Cura meus pensamentos e sentimentos. Dá-me a graça de reconhecer tua presença nos meus conflitos. Abre meus olhos para voltar a sonhar e permanecer contigo.

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