Espírito Santo: sopro de coragem, criatividade e ternura
- Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.

- há 16 horas
- 3 min de leitura
O dom pascal por excelência é o Espírito Santo. Foi Ele quem ressuscitou Cristo, reanimou o coração desiludido dos discípulos, impulsionou a missão da comunidade primitiva e fez florescer obras de cura, libertação e reconciliação. Na gratuidade desse dom, a vida torna-se missão, testemunho e serviço. Por isso,
Pentecostes não é apenas o encerramento do Tempo Pascal, mas a plenitude dos cinquenta dias: a realização da própria Páscoa. Celebramos o Ressuscitado que, pelo sopro do Espírito, continua vivificando a Igreja e tornando presente o Mistério Pascal na história humana.
O Evangelho deste domingo nos conduz ao cenáculo, lugar do medo, do fechamento e da incerteza. É ali que Jesus ressuscitado se coloca no meio dos discípulos, mostra as marcas da paixão e sopra sobre eles o Espírito do Amor que procede do Pai. Esse gesto recorda a criação do homem, quando Deus soprou em suas narinas o fôlego da vida. Agora, Cristo faz nascer uma nova criação: dissipa o medo, rompe os fechamentos e comunica paz, alegria e ardor missionário.
Onde o Espírito atua, o mal é vencido, a tristeza é transformada em esperança e uma vida nova começa a florescer.
Olhar o Espírito é contemplar a coragem de um Deus que renova todas as coisas e a liberdade desse mesmo Deus que deseja recriar tudo de novo. O Espírito nos liberta das antigas amarras, dos medos que nos paralisam e das seguranças estéreis que impedem a novidade da graça. Como sopro divino, Ele anima, restaura e congrega, conduzindo-nos à verdadeira liberdade dos filhos e filhas de Deus. Ele sopra onde quer e abre caminhos inesperados, fazendo surgir possibilidades novas. O Espírito é a força criadora de Deus que faz novas todas as coisas.
Olhar o Espírito é reconhecer a criatividade divina agindo silenciosamente na história. Ele não nos permite anunciar uma palavra pesada, fria ou condenatória, mas nos impele a proclamar uma Palavra que cura, ilumina e transforma. O Espírito revela a presença de Deus nas alegrias e fragilidades do cotidiano, ajudando-nos a discernir os sinais do Reino no meio da vida. É Ele quem abre nossos olhos para reconhecer Cristo vivo nos acontecimentos da história e nos irmãos que caminham conosco. Onde o Espírito habita, tudo pode ser recriado pela graça.
Olhar o Espírito é experimentar a ternura do amor divino derramado sobre o mundo. O Espírito Santo manifesta a comunhão amorosa entre o Pai e o Filho e não se deixa aprisionar por estruturas, ideologias ou limites humanos. Quando nos abrimos à sua ação, somos transformados interiormente e habitados pelo amor da Trindade Santa. O Espírito faz da Igreja uma comunidade reconciliada, misericordiosa e acolhedora, capaz de testemunhar a beleza do Evangelho com humildade e compaixão. É Ele quem sustenta nossa esperança e reacende em nós a alegria da fé.
Pentecostes permanece como um convite permanente para nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo. Ele rompe os fechamentos dos nossos “cenáculos”, tira-nos da acomodação e nos envia ao encontro do mundo com coragem, criatividade e ternura.
O Espírito nos traz uma colheita generosa e abundante. A festa deste domingo nos oferta um surpreendente horizonte de compreensão, uma abertura do olhar, uma reviravolta, uma nova maneira de interpretar a vida, a existência, a história, o mundo e a Igreja. Celebrar Pentecostes é colher os frutos da Páscoa e reconhecer que o Espírito continua fazendo novas todas as coisas. Assim, também hoje o Espírito do Ressuscitado nos torna testemunhas da esperança, do perdão e da vida nova que Deus oferece à humanidade.
Senhor, dá-me a coragem para vencer meus medos e seguir os caminhos do Evangelho. Dá-me a criatividade para reconhecer tua presença e fazer novas todas as coisas ao meu redor. Dá-me a ternura para amar, perdoar e acolher com o coração. Amém.




Comentários