O Amor que Cria, Redime e Santifica
- Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.

- há 2 dias
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Atualizado: há 1 dia
Neste domingo, a Igreja nos conduz à contemplação do mistério da Santíssima Trindade. Toda a liturgia nasce do amor do Pai, manifesta-se no Filho feito homem e continua viva pela ação do Espírito Santo. Ao celebrarmos a Trindade, não nos aproximamos de uma ideia abstrata, mas do Deus vivo que vem ao nosso encontro.
O Pai nos cria por amor, o Filho nos redime pelo amor e o Espírito nos santifica no amor. Todo o mistério da salvação brota desta comunhão divina que se derrama sobre a humanidade.
A Trindade é a perfeita comunhão de amor. O Pai vive voltado para o Filho, o Filho entrega-se inteiramente ao Pai e o Espírito Santo é o vínculo eterno desse amor sem medida. Em Deus não há isolamento nem fechamento, mas acolhida, doação e reciprocidade. Por isso, quando participamos da liturgia, somos introduzidos nessa corrente de amor que une as Pessoas divinas. O Espírito nos faz entrar no coração do mistério e experimentar a proximidade do Deus que é comunhão.
A celebração de hoje nos ajuda a perceber que o mistério de Deus não se revela pela divisão, mas pela unidade. Pai, Filho e Espírito Santo são distintos, mas inseparáveis. Tudo o que Deus realiza em favor da humanidade acontece na perfeita harmonia da Trindade.
O amor criador do Pai, a entrega salvadora do Filho e a ação vivificante do Espírito manifestam um único desígnio de salvação. Diante desse mistério, somos convidados mais a contemplar do que a explicar.
Deus não permanece distante da história humana. O Senhor dos céus escolheu caminhar conosco, habitar entre nós e permanecer em nossa vida. Sua presença acompanha nossas alegrias e esperanças, mas também nossas fragilidades e sofrimentos. Nada escapa ao olhar misericordioso daquele que nos criou e nos sustenta. Celebrar a Trindade é renovar a confiança nesse amor que jamais abandona seus filhos.
Criados à imagem e semelhança de Deus, trazemos em nós a marca da comunhão. Fomos feitos para o encontro, para a partilha e para a fraternidade. Assim como a vida divina é relação, também nossa vocação mais profunda é viver relações que gerem vida e comunhão. A fé cristã não floresce no isolamento, mas na experiência da comunidade. Quanto mais nos aproximamos do Deus Trindade, mais aprendemos a construir laços de amor e de serviço.
O amor recebido do Pai, revelado no Filho e derramado pelo Espírito torna-se missão em nossa vida. Cada gesto de acolhida, reconciliação e cuidado manifesta algo da beleza trinitária. Assim, caminhamos sustentados pela graça, envolvidos pelo amor e conduzidos pelo Espírito. A Santíssima Trindade permanece para sempre como fonte, caminho e destino de toda a vida cristã.




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