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O olhar que chama e a compaixão que envia

  • Foto do escritor: Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
    Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 24 horas

O Evangelho nos conduz ao olhar de Jesus sobre a multidão. Seu olhar não é apressado nem superficial, mas capaz de penetrar as profundezas da existência humana. Ele vê pessoas cansadas, dispersas e feridas pelas circunstâncias da vida. Diante daquela realidade, não manifesta reprovação, mas deixa-se mover por uma profunda compaixão.

O coração de Cristo torna-se lugar de acolhida para toda fragilidade humana. Antes de ensinar, corrigir ou enviar, Ele se aproxima com misericórdia. Ele vê a violência que enfraquece, a opressão que escraviza e o consumismo que reduz o coração humano ao vazio.

A compaixão de Jesus revela o próprio coração do Pai. Não se trata de um sentimento passageiro, mas de uma força divina que restaura a vida e devolve esperança. Em Cristo, Deus mostra que não permanece distante do sofrimento de seus filhos. Pelo contrário, aproxima-se daqueles que carregam o peso das lágrimas, das perdas e das decepções. A compaixão torna-se o caminho pelo qual o amor divino toca concretamente a humanidade.

Onde ela está presente, a dignidade humana é restaurada e a esperança renasce. Sem compaixão, a fé corre o risco de transformar-se em mera observância exterior.

Do coração compassivo de Jesus nasce o chamado dos discípulos. Ele não escolhe os mais fortes nem os mais preparados, mas homens marcados por limites e fragilidades. Chamando-os pelo nome, retira-os do anonimato e lhes oferece uma nova identidade. Cada nome recorda uma história, um caminho percorrido e uma promessa ainda por realizar. O Mestre reúne pessoas diferentes para mostrar que a comunhão é mais forte do que as divisões. A diversidade não é um obstáculo para Deus, mas matéria-prima de sua obra. Assim começa a formação do novo povo reunido pelo Evangelho.


Os Doze constituem um retrato da própria humanidade. Entre eles encontramos impulsivos, desconfiados, simples trabalhadores e homens de visões distintas. Apesar das diferenças, Jesus os reúne em torno de uma única missão. Sua escolha revela que a graça precede qualquer mérito humano. Deus não chama porque somos perfeitos; chama para nos transformar segundo seu amor.

A vocação cristã nasce dessa experiência de confiança recebida gratuitamente. Quem se sabe amado por Deus descobre também a responsabilidade de colocar sua vida a serviço dos irmãos. O chamado torna-se, então, fonte de renovação e crescimento.

Ao enviar seus discípulos, Jesus lhes comunica sua própria missão. Eles são chamados a anunciar o Reino, aliviar sofrimentos e libertar as pessoas de tudo aquilo que as escraviza. A autoridade recebida não serve para dominar, mas para servir e promover a vida.

O discípulo torna-se sinal da presença de Cristo quando leva consolo aos abatidos e esperança aos desanimados. Evangelizar significa tornar visível a misericórdia de Deus em palavras e gestos concretos. A missão nasce da compaixão e conduz sempre ao encontro com o outro. Onde ela é vivida, o Reino de Deus se faz presente.

Também nós fomos alcançados pelo olhar e pelo chamado do Senhor. Em meio às exigências do cotidiano, somos convidados a cultivar um coração capaz de ver, sentir e agir como Jesus. A messe continua abundante e o mundo necessita de testemunhas da misericórdia. Cada gesto de acolhida, cada palavra de encorajamento e cada atitude de perdão tornam presente a ação salvadora de Cristo. A mistagogia deste Evangelho nos recorda que a vocação cristã é participação na própria vida do Senhor. Quem aprende a amar com compaixão descobre o verdadeiro sentido da existência. Assim, a Igreja continua a manifestar no mundo o rosto misericordioso do Pai.


Senhor, ensina-me a olhar com teus olhos, a sentir com teu coração e a agir segundo tua vontade. Dá-me um coração compassivo para acolher quem mais necessita de mim. Ajuda-me a reconhecer minha vocação e a caminhar com amor entre os irmãos. Que eu encontre no cuidado ao próximo e na fidelidade à minha missão o verdadeiro sentido da vida. Amém.

1 comentário


Andrea Lustosa
Andrea Lustosa
há um dia

Que reflexão linda, Frei Luís Felipe! Que o Nosso bondoso Deus o abençoe sempre em sua missão evangelizadora...Paz e bem!

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