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Um Deus que vem para amar

  • Foto do escritor: Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
    Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
  • 13 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

João Batista, agora na prisão, já não fala com a mesma força do deserto: aquele que anunciava com coragem a vinda do Messias passa a perguntar, em voz baixa, se Jesus é mesmo aquele que havia de vir. Mesmo assim, João continua sendo o homem da espera, sustentado pela graça e, apesar das dúvidas, fiel. Sua esperança transforma o deserto em lugar de anúncio e a prisão em espaço de confiança renovada, revelando que a espera cristã não elimina as perguntas, mas persevera na fé e mantém viva a confiança em Deus.


A pergunta de João revela sua crise de fé e sua humanidade. Há uma distância entre o Messias que ele esperava e o Jesus que se manifesta na história.

João aguardava um Messias poderoso, juiz severo, que viesse punir os pecadores. Porém, Jesus aparece com gestos de misericórdia, proximidade e compaixão. Essa diferença desconcerta João e provoca seu questionamento interior. Ele entra em crise diante de um Deus inesperado, com rosto humano. Essa dificuldade não é só dele, mas acompanha os homens e mulheres de todos os tempos.

Os discípulos de João levam a pergunta até Jesus, em nome do mestre. A resposta de Jesus surpreende e desarma qualquer polêmica. Ele não discute nem se justifica, apenas aponta para o que está acontecendo. “Contai a João o que estais ouvindo e vendo.” Ouvir e ver caminham juntos no caminho da fé. Não basta escutar uma mensagem bonita; é preciso perceber sinais concretos de vida nova. A presença de Deus se revela em ações que libertam, curam e restauram a dignidade humana.


A prisão de João não é apenas um dado histórico, mas um sinal profundo e atual. Ela revela uma forma de pensar Deus marcada pelo controle, pelo medo e pela punição.

Quem imagina Deus apenas como vigilante e castigador acaba aprisionado interiormente. Não reconhecer Deus no rosto misericordioso de Jesus gera crise e enfraquece a fé. Para sair dessa prisão, é preciso olhar atentamente para o agir de Cristo. Seus sinais falam sempre de vida, cura e libertação integral. Muitas vezes, as prisões mais perigosas são as das nossas próprias ideias sobre Deus.

Jesus conclui com uma bem-aventurança dirigida a todos os tempos: feliz aquele que não se escandaliza com Ele. Escandalizar-se é não aceitar o modo como Deus escolhe agir. A fé exige conversão constante, revisão de certezas e abertura ao novo de Deus. O Advento é tempo favorável para esse caminho interior. Deus se fez homem para nos libertar dos desertos e das prisões, externas e interiores. Ele nos convida a confiar mais em sua misericórdia do que em nossos julgamentos.


A conversão anunciada por João também passa por ele mesmo e ilumina nosso caminho. O grande risco é criar um Deus à nossa imagem, reduzido às nossas expectativas e necessidades. Ser homem ou mulher do Advento é viver na liberdade da espera confiante. É caminhar ao encontro d’Aquele que vem e aprender a reconhecê-lo na simplicidade do cotidiano. A verdadeira alegria cristã nasce da confiança perseverante. Deus tem para nós um futuro de bondade e de vida plena. Essa esperança nos sustenta e nos anima a continuar caminhando.

 

 

Senhor, ajuda-me a viver o Natal com uma fé mais madura e verdadeira. Liberta-me dos sentimentalismos vazios, das ansiedades da espera e ensina-me a olhar e escutar com o coração. Ajuda-me a acolher o Deus que não veio para condenar, mas para salvar e amar com misericórdia. Liberta-me das prisões interiores e dos desertos da fé. Que eu possa alegrar-me profundamente com tua vinda e viver na esperança.

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