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Entre os pecadores, o Filho de Deus

  • Foto do escritor: Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
    Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
  • 16 de jan.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 18 de jan.

Ao retornar ao Tempo Comum, a liturgia reapresenta a figura de João Batista como um grande sinal para o nosso itinerário espiritual. Ele nos recorda que a caminhada cristã deve ser constantemente marcada pelo desejo de conversão e pelo compromisso do testemunho. No mistério do Natal, o Menino foi revelado aos pastores, representantes de Israel; aos Magos do Oriente, manifestou-se como Rei, abrindo-se aos povos pagãos.

Agora, às margens do Jordão, no meio daqueles que recebiam o batismo de penitência, Jesus é revelado como o “Cordeiro de Deus” e inicia sua missão pública como Jesus Cristo, Filho de Deus. O testemunho de João convida-nos a recomeçar sempre, voltando o olhar para Cristo, o Cordeiro misericordioso que o Pai nos entregou.

É no meio da multidão que busca purificação que Jesus se revela e toma consciência de quem é, do que deve fazer e da forma como deve cumprir sua missão. Essa revelação pública tem um caráter escandaloso, pois o Messias não se apresenta separado ou acima, mas misturado aos pecadores. João esperava um sinal, e ele se dá de maneira inesperada: Jesus se coloca no mesmo nível dos que reconhecem sua fragilidade. A proximidade do Reino dos Céus, anunciada por João, revela um Deus que se faz próximo e que pede mudança de vida. Um bom caminho para iniciarmos a mudança é purificando nossas razões, limpando nosso coração e abrindo nossas mãos. Nossas razões estão sempre cheias de coisas e os nossos corações estão sempre cheios de sentimentos supérfluos.


O Cristo entra na mesma água dos pecadores em busca de purificação. Ele não observa de longe nem teme contaminar-se, mas se envolve, torna-se solidário com a humanidade ferida pelo pecado e aceita ser contado entre os pecadores. Jesus vai ao encontro do ser humano nos lugares de sua indignidade, de sua perda e de sua inadequação. Não permaneceu no céu para impor regras ou controlar a história, mas assumiu nossa carne marcada pelo pecado.

No Batismo, orienta toda a sua vida: fazer a vontade do Pai por meio da solidariedade com a humanidade ferida. É então que os céus se abrem e o Espírito desce sobre Ele, confirmando sua missão.

João contempla algo decisivo: vê o Espírito Santo descer e permanecer sobre Jesus. Essa permanência é fundamental, pois manifesta que Ele é o escolhido do Pai para realizar o projeto de salvação. Todas as ações e palavras de Jesus passam a revelar o amor do Pai, que deseja salvar e restaurar a humanidade. É pela força do Espírito que Jesus tira o pecado do mundo e inaugura o Reino de Deus no meio dos homens. Já não se trata apenas de um anúncio futuro, mas de uma presença concreta e atuante: aquele sobre quem o Espírito permanece é quem batiza com o Espírito Santo.


O verbo “ver” atravessa todo o Evangelho e estrutura o testemunho de João: “Eu vi Jesus aproximar-se”, “eu vi o Espírito descer”, “eu vi e dou testemunho”. Ver é graça da fé, fruto do encontro e da experiência viva com Deus. A fé não nasce de uma ideia abstrata, mas de uma relação pessoal. O cristianismo é a religião do Deus que se deixa ver, que toma a iniciativa, rompe as distâncias e entra na história humana.

Quem vê com os olhos da fé torna-se testemunha, capaz de perceber o agir de Deus onde muitos não conseguem enxergar. Assim, quem não vê o mistério revelado acaba por apontar apenas para si mesmo ou para o pecado do outro, e jamais para Aquele que é capaz de retirar o pecado do mundo.

Ao proclamar “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, João manifesta admiração e adesão à novidade trazida por Jesus. Ele aponta para Jesus e revela uma inversão radical: não é o homem que se oferece a Deus, mas é Deus que se oferece pela humanidade. O Cordeiro não vem apenas recordar a libertação do Egito, mas libertar de uma escravidão mais profunda: o pecado entendido como recusa de relação com Deus. Não se trata apenas dos pecados cotidianos, mas de uma estrutura de fechamento ao amor divino. Somente o Cordeiro de Deus pode tirar o pecado do mundo, libertando o ser humano e conduzindo-o à verdadeira liberdade.

 

Senhor, ajuda-me a reconhecer as maravilhas da vida cotidiana. Concede-me um olhar renovado para acolher o mistério da tua revelação. Purifica minha razão, limpa meu coração e ensina-me a abrir as mãos. Dá-me a graça de ver a tua presença e de reconhecer em Jesus, teu Filho, o Cordeiro que tira o pecado do mundo.

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