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O projeto de Jesus

  • Foto do escritor: Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
    Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
  • 16 de out. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 22 de out. de 2021

Jesus continua seu caminho em direção e Jerusalém e, pela terceira vez, anuncia o seu destino falando da oferta da sua vida. No primeiro anúncio, houve a reação negativa de Pedro; no segundo, a disputa entre quem seria o maior; no terceiro, o pedido de Tiago e João. O terceiro anúncio, ao contrário dos dois primeiros, foi muito mais dramático e impressionante. Jesus especifica que será “condenado à morte”, “entregue aos gentios”, “zombado”, “cuspido”, “açoitado” e “morto”. Os discípulos já não tentam impedi-lo de continuar seu caminho.


Agora é impossível que os discípulos continuem a acreditar que Jesus será um Messias glorioso e reinante. Estão conscientes de que o Mestre passará pela humilhação, pela morte e começam a pensar sobre como será o futuro. Cônscios do evento dramático, não deixam de lado os sonhos de glória e de poder, evidenciando suas grandes ambições. Com efeito, o desejo de poder impede e distorce a compreensão e a assimilação das simples e claras palavras de Jesus. O evangelista Marcos é aquele que se mostra mais duro, frente ao não entendimento dos discípulos.


Os discípulos parecem surdos às advertências e correções do Mestre. Mostram-se incapazes de compreender suas intenções e a profundidade dos seus sentimentos. Não se preocupam em ser solidários com Jesus, aderindo ao seu ensinamento e à sua missão de Messias, rejeitado pelos líderes do seu povo. Ao contrário, preocupam-se em garantir honras e vantagens.

Jesus respeita a lentidão deles para compreender os desígnios de Deus anunciando que um dia seriam capazes de partilhar do seu destino, pois bebendo do mesmo cálice, poderiam ser capazes de dar vida pelos outros.

Tiago e João reivindicam os privilégios porque foram os primeiros a serem chamados. Ostentam uma familiaridade com Jesus possuindo um caráter impetuoso. Eles não sabem do que falam e pedem. Ao mesmo tempo, não se deixam intimidar pelas condições evocadas por Jesus. Confiam em suas próprias forças estando absolutamente seguros de suas capacidades e confirmando que são capazes de ir até o fim no projeto de Jesus.


Em seguida, Jesus responde a pretensão ambiciosa dos discípulos: o lugar na glória é um dom gratuito do Pai e não pode ser conquistado por méritos humanos. Os discípulos cometem o erro de comparar o Reino de Deus com os reinos deste mundo. Eles não conseguem entender que, diante de Deus, não se pode fazer reivindicações com base em boas obras: tudo é dom.


Os discípulos têm vários modelos de autoridade diante dos olhos: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam”. Eles conhecem os líderes políticos e religiosos, os rabinos, os escribas e os sacerdotes do templo. Todos exercem o poder da mesma maneira: dão ordens, reivindicam privilégios, exigem reverências cerimoniais; diante deles é preciso ajoelhar-se, beijar a mão, observar à posição, os títulos e os prestígios de cada um. No entanto, Jesus rejeita esta lógica e, sendo bastante direto, diz: “entre vós não deve ser assim”. O projeto do Cristo é outro: “quem quer ser grande, seja servo; e quem quer ser o primeiro, seja o escravo de todos”.


Este caminho e esta ação de redenção foram realizados plenamente em Cristo que se fez servo da humanidade para reconstruir a relação com Deus. A salvação e o sentido da vida consistem não na força, mas na disponibilidade e na generosidade para servir. Jesus não salva com poder e sim com a com oferta da sua vida.

A autoridade de Jesus é símbolo de um serviço generoso e honesto. Nesse sentido, o poder nunca é mediação de salvação. Efetivamente, o poder que mais desumaniza é o “poder religioso”, pois corrói os relacionamentos, constrói narrativas falsas, cria um ambiente carregado de tensões, de suposições e de desconfianças.

Se a glória de Cristo é a cruz, então se torna significativo que à direita e à esquerda dele não estejam sentados os melhores, mas dois pecadores, dois ladrões, dois homens condenados à mesma sorte. Ao lado de Jesus, na sua glória, estão os condenados e os excluídos de todos os tempos, sobretudo, aqueles que são considerados indignos de se aproximarem dele. Portanto, estão do lado de Jesus aqueles que não merecem privilégios e não dependem dos poderes deste mundo.


Senhor, como é difícil compreender a sua decisão de ir até o fim. É inacreditável este projeto de servo sofredor e doador de vida. Como os teus discípulos, é mais fácil continuar a pensar no Messias glorioso e reinante. Tira-me dos sonhos de glória e poder. Ensina-se a ver que ao teu lado não permanecem os bons e merecedores, mas os frágeis e vulneráveis. Ensina-me a servir, viver os teus ensinamentos, participar da tua lógica e acolher o teu projeto de vida.


LFCM.

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