top of page

O Mistério do Sal e da Luz

  • Foto do escritor: Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
    Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
  • há 16 minutos
  • 3 min de leitura

Após o discurso das bem-aventuranças, Jesus confia aos seus discípulos uma missão exigente e decisiva para a construção do Reino de Deus. Para torná-la compreensível, Ele recorre a imagens simples e profundamente cotidianas: o sal e a luz. No Evangelho de Mateus, Jesus não faz apenas um apelo ou uma recomendação moral, mas afirma uma identidade: “vós sois”. Ao dialogar com a tradição que reconhecia a Torá como sal da terra, Ele não a rejeita, mas amplia seu significado, aplicando-o à vida concreta daqueles que o seguem.

Assim, os discípulos, iluminados por sua Palavra e formados pela sabedoria das bem-aventuranças, tornam-se sinal vivo e visível do Reino no meio do mundo.

Não se trata, portanto, apenas de cumprir normas ou buscar um ideal distante, mas de acolher um modo de viver que nasce do encontro pessoal com Cristo. Quem caminha com Ele assume um estilo de vida marcado pelo amor, pelo bem e pela entrega cotidiana.

Ser sal e ser luz é existir para os outros, é sair de si mesmo para dar sabor à vida e iluminar os caminhos da humanidade. Por isso, o alerta de Jesus é direto e exigente: o sal que perde o sabor torna-se inútil, e a luz que não ilumina perde sua razão de ser. A fé não pode permanecer fechada, escondida ou apagada; ela precisa ser vivida, partilhada e testemunhada.

Ao falar de sal da terra e luz do mundo, Jesus aponta para uma missão sem fronteiras, aberta e universal. Ele não limita espaços, nem pessoas, nem situações. Sua advertência é clara: não deixar que o sal perca o sabor e não permitir que a luz se apague. Os discípulos são chamados a conservar os corações no bem, a iluminar as sombras da existência e a colaborar com a obra da redenção iniciada por Cristo. Embora a renovação dos corações seja sempre dom da graça de Deus, a continuidade dessa ação no mundo passa pela fidelidade, pela coragem e pela disponibilidade daqueles que aceitaram seguir o Senhor.


O sal tem muitas funções, mas a mais imediata é dar sabor e conservar os alimentos. Aplicada aos discípulos, essa imagem fala da missão de alimentar as fomes mais profundas do ser humano e de preservar o coração da corrupção, por meio de uma vida interior saudável e coerente. Contudo, o sal exige medida justa: em excesso, impede o alimento; em falta, não cumpre sua função. Assim também é a sabedoria cristã, chamada a ser prudente, equilibrada e capaz de dar sentido à vida. O verdadeiro sal não aparece, não se impõe, mas faz a diferença ao desaparecer. Por isso, Jesus adverte seus discípulos a não perderem o sabor, pois somente assim poderão realmente transformar o mundo.


A imagem da luz, por sua vez, recorda a responsabilidade de iluminar o caminho do outro, prevenindo quedas e orientando em meio às trevas. Sem luz, perde-se o rumo e cresce o medo. No entanto, a luz não pertence ao discípulo: ela vem de Cristo e deve ser acolhida para ser refletida.

É pela escuta da Palavra que nos tornamos luz do mundo, pois a Escritura nos recorda que a Palavra de Deus é lâmpada para os nossos passos. O próprio Jesus, luz verdadeira, comunica sua claridade àqueles que o seguem, para que, iluminados por Ele, possam guiar outros no caminho da vida.

Por fim, a luz do discípulo se manifesta nas obras: “assim resplandeça a vossa luz diante dos homens”. Não somos reconhecidos como seguidores de Jesus pelas palavras que dizemos, mas pelas atitudes que revelam o rosto do Pai. Quando repartimos o pão com o faminto, acolhemos o pobre e o peregrino, praticamos a justiça e a caridade e ajudamos alguém a sair de suas trevas interiores, a luz de Cristo brilha no meio da noite do mundo. Ser sal e ser luz exige também inteligência evangélica: a coragem de enfrentar mudanças, de pensar de modo novo e de afastar a indiferença, o egoísmo e a inveja. Que o Senhor nos conceda a graça de nunca perder o sabor da fé nem deixar apagar a luz recebida no Batismo, para que, por meio de nossa vida, o mundo possa reconhecer e glorificar o Pai que está nos céus.


Senhor, torna-me sinal vivo do teu amor. Dá-me a graça de ser sal que dá sabor à vida e liberta da corrupção, e luz que ilumina os caminhos. Que, em minha vida, a tua beleza resplandeça nas noites escuras do mundo.

Comentários


© 2023 por NÔMADE NA ESTRADA. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook
  • Instagram
bottom of page