top of page

Aprender a seguir Jesus

  • Foto do escritor: Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
    Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
  • há 13 horas
  • 3 min de leitura

Depois que Pedro fez sua profissão de fé e recebeu a missão de consolidar a comunidade nascente, Jesus começou a falar do projeto do Pai e das consequências de sua missão. Depois daquele momento feliz, marcado pela fé professada e pelo elogio de Jesus, o discurso ficou mais duro e dramático, pois os passos seguintes seriam mais exigentes. Foi o primeiro anúncio da necessidade da paixão. Pedro reconhecia quem era Jesus, mas ainda não conseguia entender que a salvação passaria pela cruz. Por isso, diante dos outros discípulos, chamou Jesus à parte e o repreendeu.


Humanamente, poderia parecer inevitável que um homem que apresentava ao mundo um Deus misericordioso e amigo da humanidade fosse desprezado e odiado por aqueles que haviam pervertido o rosto de Deus. Na figura de Pedro, confrontavam-se a profissão de fé e a negação, e o motivo disso era a cruz. Pedro estava disposto a reconhecer a messianidade de Jesus, mas não aceitava o modo concreto como ela se realizava, sua direção e sua prática. Faltava-lhe ainda compreender tudo isso como parte da vontade do Pai.


Para Pedro, a cruz jamais poderia ser um “sacrifício santo e agradável” a Deus. Ele pensava que Jesus não compreendia a verdadeira tradição judaica nem a missão do Messias, o Cristo, o Filho de Davi. Em sua mente, o “dom perfeito” do Pai seria um Messias forte e majestoso, que abriria um caminho de sucesso e poder. A fé que havia professado ainda não tinha transformado seu modo de pensar nem de compreender a vontade de Deus. Ele tinha se aberto ao dom da fé, porém sua cabeça continuava fechada.

Assim, aquele que havia sido chamado de “pedra de fundação” tornava-se “pedra de tropeço”. Ao tentar impedir o caminho da cruz e colocar-se contra o projeto do Pai, Pedro tornava-se obstáculo e escândalo. Pedro se colocava “à frente” de Jesus, assumindo a posição típica do rabino que caminhava à frente dos discípulos. Desse modo, subvertia a ordem mestre-discípulo estabelecida com o chamado ao seguimento, isto é, a seguir, a permanecer “atrás”.


A reação de Pedro surpreendia porque fazia de Jesus um discípulo de sua própria concepção ideológica e incompleta do Messias. Pedro apontava para uma direção contrária à de Jesus, como Satanás quando o tentava a conquistar tudo pelo poder.

Talvez Pedro ainda não soubesse escutar, isto é, deixar espaço para uma voz diferente da sua. Assim, Jesus o chamava de volta ao caminho do discipulado. O Mestre não queria afastar Pedro do seguimento, mas ajudá-lo a retornar ao caminho certo. Seguir Jesus significava caminhar atrás do Mestre, deixando de olhar apenas para nós mesmos e aprendendo a colocar nossa vida em seus passos. Renunciar a si mesmo não significava deixar de ser quem somos, mas abrir-se à liberdade que nasce da entrega.


A renúncia é, sobretudo, dar espaço para Deus e permitir que Ele conduza nossa vida. É preciso esvaziar-se para deixar Deus nos preencher. Muitas vezes, como Pedro, queremos ensinar a Deus o caminho que Ele deve seguir. Renunciar é confiar, deixar para trás os medos, as culpas e as preocupações e permitir que o amor de Deus conduza, seduza e sacie as necessidades da existência. Negar a si mesmo não significa aniquilar-se, culpar-se, castigar-se ou odiar-se: nada disso pertence ao Evangelho de Jesus Cristo. Significa, antes, não colocar a si mesmo no centro, tomando distância de um “eu” fechado em si mesmo e nas próprias negações. Quem deixa de olhar apenas para si mesmo encontra a verdadeira vida: “Quem perder a sua vida por causa de mim a encontrará”.


Senhor, ensina-me a confiar em ti mesmo quando o caminho se torna difícil. Dá-me força para abraçar minha cruz e coragem para seguir-te. Que eu jamais coloque meus planos acima da vontade do Pai.

Comentários


© 2023 por NÔMADE NA ESTRADA. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook
  • Instagram
bottom of page