A Vinha e a Escola da Misericórdia

A parábola de hoje nos apresenta a lógica invertida do Evangelho e a maneira diferente de Deus pensar e agir. É uma narração simples, mas de grande força, porque nos surpreende, nos desloca e provoca em nós certa resistência. Aos nossos olhos, parece injusto que aqueles que trabalharam desde cedo recebam o mesmo que os que chegaram por último. No entanto, o patrão age segundo uma lógica diferente: não pensa apenas no rendimento ou no ganho, mas deseja que todos sejam acolhidos, valorizados e tenham lugar.
Por meio dessa parábola, Jesus revela o modo surpreendente de agir de Deus, manifestado em duas atitudes do dono da vinha: o chamado e a recompensa.
Jesus compara o Reino de Deus a um patrão que sai continuamente à procura de trabalhadores para a sua vinha. Bem cedo, chama os primeiros; ao longo do dia, continua a chamar outros e, mesmo quando resta apenas uma hora, ainda encontra aqueles que estavam sem ninguém para os contratar. Ele não exclui ninguém e oferece a todos uma oportunidade. É um homem “em saída”, sempre disposto a chamar. No final do dia, todos recebem o mesmo salário, e isso provoca a murmuração daqueles que suportaram o calor e o cansaço de todo o dia. Seu raciocínio parece justo: quem trabalhou mais deveria receber mais. Mas o patrão recorda que não lhes fez nenhuma injustiça: havia combinado com eles o valor do trabalho.
Os trabalhadores da primeira hora se queixaram do tratamento dado a todos pelo senhor e mostraram-se incapazes de compreender a atitude do dono da vinha. O patrão desejou dar ao último contratado a mesma quantia recebida pelo primeiro. Afinal, ele tinha o direito de fazer o que quisesse com o que lhe pertencia, pois, no ato do contrato, havia sido estabelecido o valor do pagamento. Ele não levou em conta o mérito daqueles que trabalharam por mais tempo.
A mensagem da parábola está justamente nesse comportamento surpreendente e desconcertante de Jesus. Ele não quer falar propriamente do trabalho nem do salário justo, mas do Reino e da bondade de Deus. A justiça de Deus não se limita aos nossos critérios de merecimento.
A parábola é uma denúncia clara e provocadora de uma religião baseada em méritos. No mundo de Deus, a questão não é de mais ou de menos, de mérito ou de culpa, de bons ou de maus. O mundo divino está marcado pelos dons e pela acolhida. A justiça humana tende a dar a cada um aquilo que corresponde ao seu esforço e ao seu tempo; a justiça de Deus, porém, deseja oferecer a todos aquilo que há de melhor.
O Criador não é um empreendedor preocupado em economizar, mas um doador que deseja fazer transbordar a sua generosidade. Ele não raciocina segundo uma lógica de equivalência, mas de superabundância. É justamente isso que escandaliza aqueles que contabilizam suas ações e procuram apresentar seus méritos diante de Deus.
Além da generosidade e da gratuidade do patrão, a murmuração dos trabalhadores é um elemento relevante da parábola. A queixa nasce da comparação com os outros, da mesquinhez do coração e dos olhos fechados à lógica do Evangelho. O coração estreito e o olhar arrogante fazem com que os empregados nem sequer consigam saborear o fruto do próprio trabalho. A murmuração revela outro sentimento que destrói as relações: a inveja. Ela transforma o irmão em rival, impede-nos de reconhecer o bem que o outro recebe e, pouco a pouco, destrói os vínculos.
Com essa parábola, Jesus também questiona uma forma farisaica de se relacionar com Deus. O amor do Senhor não se compra, não se conquista e não pode ser calculado a partir das boas obras.
O Evangelho nos convida, portanto, a cultivar um olhar lúcido, um coração livre e a generosidade do dono da vinha. À imagem de Deus, somos chamados a não viver da contabilidade dos méritos, mas da misericórdia. De fato, a misericórdia divina é desconcertante porque não é meritocrática. Ela não é uma recompensa concedida àqueles que julgam tê-la merecido, mas um dom gratuito e incondicional de Deus. A misericórdia não pode ser conquistada nem adquirida; somente pode ser acolhida. O Senhor faz misericórdia ao último e serve ao primeiro. É compassivo e generoso: acolhe o último como o primeiro e concede o descanso a quem chegou na última hora, assim como àquele que trabalhou desde o início do dia.




Comentários