A autoridade hoje é de Francisco
- Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.

- 28 de jun. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 17 de set. de 2020
Jesus interroga aos seus com a sua típica maestria. Sem menos esperar surge com uma pergunta chave: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? A opinião das pessoas é bela e incompleta. É um profeta que retornou. Mas, Jesus não é simplesmente um profeta de ontem que volta. É o novo. Então, mais do que oferecer lições, Jesus oferece perguntas. É, de fato, inteligente. Conduz os seus discípulos à delicadeza, à transparência e à liberdade interior. É preciso colocar para fora o que se pensa no coração. É o modo de fecundar novos nascimentos e construir novas histórias. É pleno de autoridade! Pergunta mais um pouco: E vós, quem dizeis que eu sou? Antes de tudo, existe um “e você” em oposição ao que as pessoas dizem.
É da qualidade dessa resposta que depende a forma do nosso seguimento, a oferta da nossa vida, as opções que fazemos e o serviço que oferecemos. É da qualidade dessa resposta que depende a autoridade que temos no ato de testemunhar o evangelho.
Vejamos. É a partir da resposta de Pedro que são entregues dois símbolos, a pedra e a chave. Tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus. O que você unir, os laços que soube tecer, até no céu assim serão. O que você conseguir desatar, sobretudo, em relação aos bloqueios de uma opção mal pensada, aqueles que você der liberdade e respiro, terão liberdade e respiro até nos céus.
É disso que somos constituídos. É disso que a Igreja toma forma. Temos um convite a sermos pedra de sustento, não de tropeço, e chave que abre, não que fecha para impedir encontros.
Uma autoridade constituída para a construção da comunidade. Penso que seria uma boa coisa para refletir na festa de dois apóstolos, Pedro e Paulo. Dois homens que fecundaram a Igreja com o próprio sangue. Nisso, sustentaram a fé. Dois discípulos, cada um na sua sensibilidade, que foram capazes de ouvir a voz do Senhor que fala nos sinais da história. Que grande fantasia essa do Espírito? Colocar juntos dois personagens por demais diferentes, Simão e Saulo. Dois homens que passaram a vida confrontando-se, até asperamente, mas sempre no respeito comum ao Evangelho. Um edifica, outro equilibra. Na realidade, os dois eram como um só. Somente Cristo seria capaz de tal feito.
É preciso identificar bem a questão da autoridade, precisamente pelo fato de que o nosso modo de ler a autoridade se tornou por demais simplificado e míope. Poderíamos dizer que o senso comum identifica por autoridade aquela força, aquele poder, aquela palavra que tem a característica de imposição. No entanto, o sentido original do termo autoridade pode dar novo valor a essa perspectiva, que por sinal é muito pobre, a autoridade é, mais originalmente, capacidade e poder de fazer crescer.
Aquele que possuiu autoridade é capaz de inaugurar no outro uma nova percepção que antes não era possível. Àquele que tem autoridade possui a graça de fazer com que todos sejam autores, responsáveis por sua ação. São capazes de ligar à liberdade e desligar da escravidão. Por isso, a autoridade se reveste de duas características. De um lado, suscita novas respostas. Por outro lado, cria um espaço. Torna possível as diferenças. Ele ouve uma palavra e cria outra: “vai a tua fé te salvou”. Torna possível uma nova práxis. Com isso, aquele que possuiu uma certa autoridade tem uma capacidade altamente performativa. Dessa forma, a autoridade é espiritual no seu princípio e no seu exercício.
Por fim, diante da nossa geração, sempre à procura de novas autoridades, é preciso considerar qual à natureza, o princípio e a forma dessa autoridade. Para fazer crescer o outro, a misericórdia deve ser o núcleo e a natureza da autoridade. De fato, é o que a Igreja necessita hoje, irmãos, pedras e chaves, que saibam edificar o coração, cancelar os temores e iluminar as angústias dos outros, que saibam abrir as portas de uma mente estreita, demostrando paciência e clemência. Exatamente assim fez Jesus. Exatamente assim faz Francisco. Nesse sentido, a autoridade da Igreja de hoje é de Francisco. Viva o Papa! Que viva tanto ou mais que Pedro.




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