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O segredo do Pai

  • Foto do escritor: Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
    Frei Luis Felipe C. Marques, ofmconv.
  • 16 de nov. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 23 de nov. de 2024

O final do ano litúrgico nos aproxima dos textos apocalípticos. A narrativa de hoje encerra a leitura dominical do Evangelho de Marcos. A preocupação central dele não foi elaborar um discurso sobre o fim do mundo, mas convidar as comunidades a viverem o presente com vigilância e prontidão.

Cristo é o ponto de referência para o novo céu e para a nova terra. Ele é a pedra angular que reordena o caos, tirando do homem toda angústia e recuperando sua existência. O resplandecer do último dia será único, pois veremos o Senhor Jesus cheio de amor e de misericórdia e viveremos nosso encontro definitivo com o Rei do Universo.

Os textos apocalípticos foram distorcidos ao longo da história, passando a ser sinônimo de catástrofes e de desastres, causando medo e angústia nos ouvintes mais temerosos. No entanto, os autores bíblicos tinham a intenção de transmitir mensagens de esperança e de resistência. Os evangelistas fizeram questão de situar os discursos apocalípticos no curto ministério de Jesus, em Jerusalém, quando Ele percebeu que o Templo não era mais a casa de oração, mas estrutura de poder e de dominação, casa de comércio, e que deveria ser destruído. Neste Evangelho, segundo Marcos, o discurso apocalíptico é apresentado depois que os discípulos admiram a beleza e o esplendor do templo de Jerusalém. Diante dessa apreciação, com um longo discurso, Jesus revela que daquilo tudo, não ficaria “pedra sobre pedra”.


Nossa meta final é o encontro definitivo com o Senhor Ressuscitado: “Então vereis o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória”. Jesus proclama que toda história tem um fim e uma meta a alcançar. Nós não esperamos um tempo e nem um lugar, mas estamos indo ao encontro de uma Pessoa. Não conhecemos o tempo, nem a maneira como isso acontecerá.

O Senhor mesmo reitera que “ninguém o sabe, nem os anjos do céu, nem sequer o Filho”. Tudo está conservado no segredo do Pai. O que deve nos importar não é o “quando”, mas a certeza confiante do futuro e da promessa do Senhor Jesus Cristo.

Ao invés de um julgamento severo e de uma separação entre bons e maus, o evangelista Marcos diz que o Filho do Homem vem para reunir os quatro cantos da terra e completar a Criação. Com a queda dos poderes opressores, a humanidade alcançará o seu verdadeiro fim: a reconciliação e a fraternidade. Os filhos de Deus dispersos tornar-se-ão comunhão e não conhecerão mais a morte, o mal e o pecado. Este é o convite pelos sinais de esperança. São sinais discretos, como o galho da figueira no verão que não faz barulho, mas cresce delicadamente gerando frutos. A natureza, nos revela que todo o fim estabelece um novo início, por vezes, sutil e imperceptível, mas tornando-se realidade contemplada.


A presença de Deus em nossa vida, também é assim. Quando tudo parece terminado e concluído, Ele nos apresenta um novo fim, uma nova razão e esperança. Por isso, tudo passará, menos a promessa contida na Palavra viva e eficaz. O Filho do homem é o próprio Jesus Cristo que relaciona o presente com o futuro. Finalmente, as antigas palavras dos profetas encontram o centro na pessoa do Messias. Ele é o verdadeiro acontecimento que, no meio do caos do Universo, permanece firme e inabalável.

A perspectiva do fim dos tempos não pode e nem deve nos amedontrar. Ela deve nos inspirar a olhar nossos dias com fé, esperança e amor.

A Palavra de Deus deve ser nosso ponto de partida e de chegada, pois imersos nas realidades terrenas somos capazes de torná-las sólidas, transformando-as com amor e imprimindo nelas, o sinal de Deus. O discípulo fiel será aquele que edificou sua vida na rocha firme do amor e na Palavra viva da misericórdia. Esses são os fundamentos para o autêntico discipulado. Em meio aos abalos e às tragédias do mundo, sobreviverá vitoriosa e firme: a caridade. A Palavra de Deus nos adverte que tudo passará. Entretanto, o amor permanecerá. Naquele dia, compreenderemos como ela iluminou nossa existência pessoal. Assim, nós nos abandonaremos, definitivamente, ao amor e à misericórdia do Pai.


Senhor, ensina-me a viver a vigilância e a prontidão para chegar ao novo céu e à nova terra. Dai-me nunca perder de vista, minha meta final: o encontro definitivo Contigo sempre tendo comigo vitoriosa e firme, a caridade. Por fim, permita-me contemplar e me alegrar de testemunhar a reunião da Criação.


1 comentário


Marcia Severo
Marcia Severo
17 de nov. de 2024

Bom Dia Frei, Paz e Bem. Gratidão por me enviar esse texto de esperança , q me fará exercitar a vigi-lha e a disponibilidade de querer estar perto do Senhor sempre. 🙏🏾

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